Our lives would never remain the same. They can’t.

I’m not running away from things. I’m running to them before they flare and fade forever. That’s all right. Our lives would never remain the same. They can’t.*

Doctor Who, 11th Doctor (The Power of Three)

Wow, será que ainda sei escrever? Porque nestes últimos dois (!!) anos — meu último post no TRS foi em março de 2022 — escrevi pouquíssimo, especialmente projetos pessoais… algo bem complicado para alguém que sempre esteve produzindo.

Parece que está faltando um pedaço de mim. Um pedaço muito importante, por sinal.  

Por isso, um dos meus planos para 2024 é voltar a escrever. Além do blog, também pretendo voltar a trabalhar em DRAPS (continuando a história e claro, dando andamento à publicação da continuação) . Então, nada mais justo do que, neste primeiro post individual de retorno (e ainda estando no mês de janeiro), eu faça um resumo de como foram os últimos anos e coloque no papel um pseudo planejamento para este novo ano, novo ciclo. Enfim… aquela conversinha unilateral básica.

Ansiedade, TEA e surtos

Minha saúde mental foi uma montanha-russa nestes últimos anos, mas o saldo na real foi mais positivo do que negativo. Sim, tive meus momentos de crise, dias que sair da cama teve a trilha sonora do Missão Impossível. Mas também saí mais da minha concha, vivi mais a realidade e isso tudo graças a algumas pessoas incríveis — algumas que entraram na minha vida no último ano, outras que permaneceram do meu lado em todos os altos e baixos. ❤

2022 e 2023 foram anos de tomar coragem e enfrentar diversas questões internas. Depois de algum tempo questionando sobre TEA (Transtorno do Espectro Autista), finalmente tomei coragem de falar com minha psicóloga e psiquiatra sobre o assunto e, depois de conversas e avaliações, a resposta foi ao mesmo tempo um alívio e assustador: minha sensação estava certa. 

Então, já posso adiantar que este será um assunto que vou abordar bastante por aqui. Adiantando algumas coisas: o TEA é um transtorno. Isso significa ningúem que está no espectro é igual (atualmente é dito que existem níveis de autismo). toda a linha de estudos sobre o espectro é bem complexa porque os cientistas ainda divergem muito em relação à causa (embora a genética esteja em alta) e “tratamentos”.

Além disso, tem todo o aspecto de que o autismo em mulheres é conhecido como “autismo atípico” simplesmente porque até pouquíssimo tempo existiam muito poucos estudos sobre o tema. Na realidade, acreditava-se que porcentagem de mulheres autistas era muito menor do que realmente o é. Isso se dá pelo fato das mulheres camuflarem mais os sintomas do que os homens. Você sabia que, por causa disso tudo, especialmente em se tratando de grau 1, a identificação do TEA no sexo feminino acaba sendo tardia ou até nunca acontecendo? 

No meu caso, sou nível 1 (que é conhecido como “leve”) e, como falei ali em cima, apesar de diversos sintomas enquanto crescia, ninguém nunca sequer cogitou a possibilidade. Foi só com mais de 30 anos descobri que havia um motivo para minha timidez e desconforto de olhar para as pessoas; para minhas manias; para minha capacidade de dessassociar; para meus hiperfocos; e claro, para ter sido considerada estranha desajustada a vida toda.

O mais engraçado é que o próprio TEA sempre foi um assunto do meu interesse e eu sempre estudei bastante sobre o tema (como estudar, leia-se: de forma leiga) Tanto que, um dos meus planos, caso tivesse terminado a faculdade de psicologia seria trabalhar com crianças autistas — o outro era entrar na psicologia forense, haha.

Enfim, não vou me estender muito por aqui porque pretendo falar separadamente sobre o TEA, contar experiências e muito mais. Apenas vale lembrar que não é possível fazer um diagnóstico via internet, se você desconfia que tem qualquer transtorno, procure um profissional.

Livros, viagens e a vida em um geral

Embora o foco do Wanderlosers não sejam os livros, ainda pretendo trazer minhas leituras para cá e, quem sabe, até fazer algumas resenhas. Afinal, a leitura é meu hiperfoco principal e meu Kindle continua sendo meu apoio emocional em situações novas ou desconfortáveis. 

Reverse Harem/Why Choose continua sendo o que mais leio, assim como autoras independentes. Acabei caindo de cabeça nessa e tem sido difícil sair. (nem sei se quero, pra ser bem sincera). Porém, minha TBR segue cada vez mais gigante e este ano quero focar em ler mais livros físicos que não sejam Why Choose. Espero conseguir, porque ano passado isso falhou em proporções épicas. 

Quem acompanhou o TRS sabe que uma das coisas que mais amo fazer é viajar e, sempre que é possível estou com o passaporte e a mala prontos. Por isso, vou voltar com meus diários de viagens sempre que tiver a oportunidade de conhecer um lugar novo (ou explorar lugares antigos). Já planejando minha próxima aventura, inclusive — mas ela ainda vai demorar um pouquinho para acontecer.

Como viajar nem sempre é possível (infelizmente), dessa vez também pretendo trazer algumas aventuras vividas por aqui. Explorar São Paulo está na minha lista para os próximos anos e quero dividir experiências e descobertas com vocês! ❤

Um registro da minha última grande viagem, no começo de 2023, para Portugal

Escrever 

Abri este post falando sobre escrever e vou terminá-lo dizendo que pretendo focar muito mais na minha escrita.

Durante anos, criar histórias foi uma maneira de fugir e lidar com a realidade. Uma válvula de escape para não pirar. Foi aí que escrevi e publiquei DRAPS e tudo virou de ponta cabeça porque criei uma pressão que precisava escrever de forma profissional e passei a exigir demais de mim e a criar metas que simplesmente não faziam sentido. Publiquei o livro em 2017 e desde então as coisas desandaram a ponto de estar parada há mais de ano. Cheguei em um nível que, para poder voltar a trabalhar nessa história, eu vou precisar reler os livros/livro. 

Então, 2024 vai ser o ano que vou voltar a escrever.

Ficção, aqui para o blog… vou enfrentar o medo de reler meu livro (para não correr o risco de criar buracos no plot) e vou investir sério na terceira parte da história da Evie — e, se eu puder pedir algo, não me deixa parar de escrever! Se você leu DRAPS e quer a continuação, se você quiser ler DRAPS, me cobre. Fale sobre o assunto comigo, encha meu saco. Talvez eu também precise de um empurrão de fora. 

O segundo livro está pronto. Ele será (re)lançado junto com o primeiro porque u uni os dois em um único volume… só preciso tomar coragem de fazer uma nova capa e aprender a publicar na Amazon, porque dessa vez vou fazer tudo de forma independente (com a ajuda da Renata!).

Uma foto da última aventura, no fim de 2023, com o Nino e a Renata

Meu 2024 está cheio de metas, de coisas que preciso superar porque a maioria delas envolve enfrentar meus medos, minha paralisia emocional/ansiedade e conseguir tomar uma atitude quando na realidade é mais seguro e confortável ficar sem agir. Mas chega de deixar sonhos e desejos para depois, cansei disso. Só espero ter forças para contornar todos os obstáculos que eu mesma crio! Também espero que, com todo conteúdo relacionado a isso aqui no blog, também possa ser um apoio para quem passa pelas mesmas coisas. ❤

É bom estar de volta.


*Tradução: Eu não estou fugindo. Estou me movendo antes que tudo entre em cobustão e desapareça para sempre. E está tudo bem isso acontecer. Nossas vidas nunca permanecem iguais. Isso é imposível.

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