Será que ainda posso me considerar escritora? Será que algum dia pude me chamar assim?
Parei de escrever muito antes da gente deixar o blog de lado por completo. Se você acompanhava o TRS desde os primórdios, provavelmente sabe da saga que isso tem sido na minha vida.
Consegui terminar DRAPS2, mas só consegui dar os primeiros passos para tentar publicar. Comecei DRAPS3, mas não saí do lugar e acho que já perdi tudo que tinha feito até o momento porque escrevi em cadernos e já nem sei mais onde os coloquei. Comecei duas histórias diferentes que até me empolguei, mas então fui consumida pela ansiedade e não consegui continuar nenhuma delas.
Ou seja, escrever tem sido um palco de surtos, autossabotagem e paralisia — o que me deixa muito chateada, já que é algo que faz parte de mim e sinto muita falta de me perder em um mundo fictício criado por mim.

São anos que estou na saga de parar e tentar voltar a produzir e acredito que, pela primeira vez em um bom tempo, acho que estou conseguindo. Um dos motivos tem sido o retorno do blog, que meio que desbloqueou algo dentro de mim, já que há anos eu não produzia nada meu, além de um texto ou outro para o trabalho (mesmo assim isso é raro, já que sou revisora por lá, hehe).
Mas ainda assim não é o suficiente. Porque eu queria produzir todos os dias, quero voltar com meus planos de escrever e publicar e criar/terminar diferentes histórias, não só começa-las e nunca mais seguir em frente.

Como o blog sempre foi um escape, onde eu posso colocar para fora todos os meus altos e baixos com a escrita (e por que não, com a vida também), estou aqui entregando mais um post sobre o assunto. Dessa vez, atualizando como estão as coisas nesse aspecto.
Primeiro de tudo, aceitei que eu não lembro mais o conteúdo de DRAPS para seguir com a história. Claro, lembro do plot, personagens, para onde quero ir e até mesmo as opções de finais… mas muitos detalhes fugiram da minha memória — publiquei o primeiro livro em 2017 e o segundo acho que ficou pronto em 2018 —, detalhes importantes para não ter furos de plot. Por exemplo, o colar da Evie fica frio ou quente quando ela está em uma situação de perigo? Cheguei a falar algum momento da tatuagem do Dalian? Dei as dicas sobre plot twists o suficiente para poder abordá-las sem muita explicação?
São pequenos detalhes importantes para a história e, toda vez que tentei continuar de onde terminei o segundo/primeiro livro, tive que parar para tentar lembrar. Esse foi um dos fatores que me deixava extremamente frustrada e desanimada e puf, minha cabeça pirava e eu não conseguia continuar.

Por isso, depois de me dar conta desse ciclo vicioso e como precisava fazer algo, decidi retomar a escrita de duas formas:
A primeira delas é relendo tudo o que já produzi, marcar aspectos importantes e ter uma cópia física com anotações para poder pesquisar e acessar de forma fácil, então, imprimi a última versão de DRAPS, com o primeiro e segundo livros juntos e estou no processo de releitura.
Preciso dizer que essa visão da história me surpreendeu positivamente, afinal, eu nunca havia lido DRAPS antes, assim, de pegar para ler sem editar. Então, ao mesmo tempo que estou redescobrindo minha história, também estou com ela nas mãos como leitora e é isso que me deixou extremamente feliz: DRAPS total é um livro que eu leria, que eu gostaria de consumir. Pode parecer loucura, mas isso me deixa orgulhosa de mim mesma, afinal sou minha maior crítica e perceber que eu gosto de algo que criei assim com essa “distância” faz com que eu pense que talvez eu seja um pouco boa nessa coisa de escrever, criar novos mundos e personagens.

Por outro lado, confesso que ainda rola um pouco de ansiedade ainda quando estou lendo e aí preciso parar. Mas ok, vamos aos poucos!
Já a segunda coisa que tenho feito é voltar a pesquisar e planejar o segundo/terceiro livro. No primeiro momento, iniciei a jornada dele já caindo de cara na escrita, especialmente porque já havia feito muita pesquisa sobre todo o background de mitos e lendas e já havia escrito os dois primeiros.
No entanto, descobri que cheguei em um ponto da história que nunca havia ido antes (aqui vai um pequeno spoiler): toda a preparação para apresentar minha versão de Atlantis me levou até o local enfim, que é praticamente algo 98% criado por mim. Uma sociedade nova, que deve se encaixar nas lendas que usei como base e no universo da minha história. Até o momento, só havia citado e repetido tudo que pesquisei, mas a minha versão de Atlantis… essa é difícil demais de colocar no papel.

Eu sei onde quero chegar, sei mais ou menos o caminho que a história vai seguir (mais ou menos porque muitos acontecimentos serão surpresa até para mim, de certa forma), mas existem muitas coisas que percebi que preciso não só pesquisar, como também planejar… ou seja, a maneira que produzi meus primeiros livros até agora já não se encaixa direito neste ponto da história.
Então é aqui que entra meu novo processo de escrita: pesquisa e planejamento. Quero trabalhar de forma mais organizada, criar uma rotina de escrita e pesquisa para poder produzir. No momento, nada ainda está 100% certo, estou caminhando devagar para não ativar o modo ansiedade intensa, então estou me permitindo ir aos poucos.
Estou lendo dicas de escrita ao mesmo tempo que trabalho em algumas pesquisas e releio o que já está pronto. Um pouco bagunçado, mas é a forma que encontrei como fazer meu cérebro não surtar cada vez que decido voltar a escrever e as coisas não fluem.

Isso se contar que preciso lidar com outra questão que me paralisa e me deixa com medo: a republicação de DRAPS, dessa vez com o novo título, Entre Dois Mundos: Missão Atlantis, em e-book e de forma independente. Existem diversas coisas que preciso fazer e o medo me consome sempre que paro para pensar nisso, a ponto de me fazer entender que talvez eu precise de ajuda nesse aspecto.
Espero realmente que desta vez eu realmente consiga sair do lugar, voltar a produzir e claro, a publicar os livros. Devo isso a mim mesma e para todo mundo que leu, gostou e pediu mais da história da Evie. Me desculpem pela demora, obrigada por todo o carinho e por todo o apoio durante todo esse tempo. ❤

Em breve, quando descobrir o caminho para uma rotina de escrita e ter dado os próximos passos nessa jornada louca de ser escritora, volto para cá para desabafar e dividir algumas dicas contando meu novo processo de criação e o que funcionou e não funcionou.

