Hoje vim contar pra vocês um pouco sobre uma das minhas bandas favoritas, um pedacinho da minha história com ela e claro, indicar algumas (várias músicas) se quiser explorá-la, hehe.
Só um aviso: este post é muito mais do que sobre uma banda favorita, é sobre como a música e a identificação significam muito. Por isso, senta que lá vem história e com alguns possíveis gatilhos (depressão e transtorno alimentar).
Prepara que lá vem textão hiperpessoal.

Sabe aquela banda que você conhece no comecinho da adolescência que, além de acompanhar durante todo esse período conturbado da vida também ajudou (e ainda ajuda) nos piores momentos?
Para mim, McFly é essa banda.

McFly é um grupo inglês que iniciou a carreira em 2004 e, entre altos e baixos (e um longo hiato) está aí até hoje. Inclusive, os shows mais recentes deles aqui no Brasil aconteceram em maio (de 2024, se você está lendo este post do futuro) e eu estava presente em uma das datas, depois de mais ou menos uns dez anos sem vê-los ao vivo.

Mas “minha história” com eles começou muito antes. Lá para 2006/2007.
Um pouco de contexto: no fim de 2005 até meados de 2007 tive meu primeiro contato com a depressão (apesar flertar com ela desde pequena, com momentos de angústia e tristeza intensos que na época eu não conseguia compreender) e com o TA (Transtorno Alimentar).
Em outubro de 2005, de forma repentina, perdi minha avó materna. Muito mais do que uma avó, nossa conexão era profunda — daquele jeito que, quando bebê, era no colo dela que eu costumava parar de chorar quase imediatamente. Na época que ela morreu, minha avó era também um pilar para mim. Eu a via quase todos os dias e passava praticamente todos os meus sábados na casa dela, um respiro para ficar longe dos meus pais que viviam em pé de guerra, atém de serem supercontroladores. Acho que dá para imaginar o baque que foi me ver, de um dia para o outro, sem a pessoa que mais me entendia e protegia.

Poucos meses depois disso, meus pais se divorciaram e, apesar de ser um grande alívio (até hoje fico tensa com pessoas falando alto quando não estou no mesmo cômodo porque penso que é briga), também foi um pesadelo, já que me via praticamente sozinha no meio da guerra fria (ou não tão fria assim) entre meus pais.
Junto disso, havia todo o contexto tóxico de onde eu estudava: o medo constante de virar alvo das “zoeiras” dos meninos; o fato de sempre ter sentido como se não fosse aceita e acolhida; o verdadeiro pesadelo que era a relação de falsidade e indiferença entre as meninas, em um momento no grupo e no outro completamente excluída com a sensação de que estavam o tempo todo falando mal pelas costas… a cereja do bolo foi ouvir da “melhor amiga” da época que eu estava “triste demais”, que “ninguém gosta de gente triste o tempo todo” e “você vai ser sozinha para sempre”.
Essas coisas até hoje me acompanham, me fazem duvidar se as pessoas gostam mesmo de mim e tento ao máximo esconder sempre que não estou bem com um sorriso no rosto e brincando — nem preciso dizer que tudo isso ainda é pauta para a terapia, né? Haha.
O TA também estava bem descontrolado e cada vez comia menos, com alguns momentos de compulsão. Não que algum momento eu tive uma relação saudável com a comida, porque desde pequena o controle do meu peso foi uma questão em casa e a ideia de ser gorda era proibida.

Fim do contexto que toca uma pequena ponta do iceberg que eram meus sentimentos e meu estado mental em 2007 (haha). Um resumo é que me sentia totalmente sozinha em um momento que precisava de colo e apoio… e é aí que a internet e a vida online entram para salvar o dia.
Fiz amizades virtuais que levo comigo até hoje — inclusive, foi no meio dessa loucura que eu e a Renata nos conhecemos e eu encontrei minha irmã de alma a mais de mil km de distância ❤ —; descobri séries e filmes; conheci o mundo das fanfics; e claro, o motivo deste post: conheci bandas e cantores que salvavam meus dias, McFly a principal delas.

Quando ouvi McFly pela primeira vez estava saindo do hiperfoco de Rebelde/RBD. Agora só não lembro se foi algo que fiz sem querer, como aconteceu com a Taylor Swift, se alguma amizade virtual me indicou a banda… Mas lembro a primeira música que ouvi: I’ll Be Ok e que me senti compreendida de um jeito que talvez só Let It Be dos Beatles e Salvame do RBD havia feito até o momento:
“Quando tudo está dando errado e as coisas estão estranhas há tanto tempo que você esqueceu como sorrir”
“Quando você estiver mal e perdido, precisando de uma mão para ajudar; quando estiver perdido no seu caminho, apenas diga a si mesmo ‘eu vou ficar bem.’”
“Tente um pouco mais. Dê o melhor de si para superar e sobreviver mais um dia, apenas diga a si mesmo: ‘eu vou ficar bem.’”
Até hoje I’ll Be Ok é uma das músicas que eu escuto quando preciso de um apoio moral para lidar com uma fase, momento ruim. Da banda em si, existem tenho playlists para diversos momentos da vida e eis que enrolei e divaguei tudo isso para dividir com vocês para conhecerem melhor essa banda, que me salvou em tantos aspectos.
E tudo isso eu só queria resumir que, às vezes (especialmente durante a adolescência uma banda), um ídolo é o que salva. Adolescência é um período muito difícil, porque além de todas as inseguranças, os hormônios descontrolados, é o momento que tudo está a flor da pele, que tudo parece o fim do mundo. Passar por essa fase e ainda lidar com saúde mental exige demais.
Hoje sou muito grata por tudo que o McFly me proporcionou e por ajudarem a sobreviver um período tão conturbado, que nada fazia sentido e que não parecia que ia melhorar nunca. Sei que não seria a pessoa que sou hoje se não fossem as músicas deles e, até mesmo, se não tivesse aquela obssessão que só quem era parte de um fandom na adolescência sabe o que é. Ainda não tive a oportunidade de um meet & greet para agradecer à banda pessoalmente, mas é algo que pretendo fazer um dia… porque, sinceramente? Foram as músicas deles que me ajudaram a suportar muita coisa e que também trouxeram pessoas que foram um apoio.

Era um alívio chegar em casa e fugir da realidade para descobrir tudo que eu podia sobre eles (e eita que os anos 2000 a internet era terra de ninguém e muitas coisas totalmente antiéticas aconteciam nesse aspecto, não vou entrar em detalhes, mas quem viveu e especialmente, era GD sabe do que estou falando, haha); assistir entrevistas e videoclipes; conhecer as músicas obscuras e até mesmo a busca por um CD/DVD; ler fanfics em que eu podia ser a jovem de coque baixo que sem querer esbarrava no Dougie e ele se apaixonava por mim (alou fanfic addiction).
Durante toda minha depressão na adolescência, o McFly foi um respiro. Foi uma luzinha no fim do túnel e eu realmente não sei onde ou como estaria hoje se não tivesse o apoio de todas as letras e fugas que eles me proporcionaram.
O tempo passou, 2007 chegou ao fim junto de novas pessoas que entraram na minha vida e, em 2008 finalmente, encontrei um lugar para pertencer, com amizades que não faziam com que eu questionasse o tempo todo por que não era boa o suficiente ou o que havia de errado comigo (e hoje, mesmo depois de altos e baixos, elas seguem firmes até hoje. Pude voltar a sorrir de verdade, arriscar viver aventuras e momentos bons, momentos ótimos. Voltei a viver e deixei de sobreviver.


Este não é um post sobre uma banda. É como a música pode ser um abraço quando mais precisamos; um apoio em períodos em que parece que nada faz sentido. É sobre ter algo a que se apegar e ajudar nos momentos mais obscuros da nossa mente. É sobre ter algo que nos faça sentir compreendidos.
Até hoje as músicas que me fizeram suportar a adolescência estão presentes na minha vida, especialmente quando preciso de colo e abraço. Ouvir algumas delas é como se estivesse recebendo exatamente essas duas coisas. É por isso que, quando digo que essa banda é parte da minha vida não é exatamente um exagero.
Bora conhecer um pouquinho das músicas do McFly?

*Acho que estou presa neste mundo maluco (Stargirl, McFly)
