

Gêmeos do mal deveriam existir apenas em livros ruins de fantasia, mas esse não é o meu caso.
A minha cópia é um monstro. Uma narcisista manipuladora que armou para parecer que fui a responsável por uma pegadinha de bullying tão cruel que fui expulsa de casa e, no caminho para rua, minha herança também foi tirada de mim.
Dez anos depois, nossa mãe está morrendo; e minha vida, um desastre: meu apartamento é uma espelunca, tenho dívidas de milhares de dólares e, para completar, meu chefe diz que, se eu pedir demissão ou terminar nosso relacionamento, ele vai divulgar o vídeo íntimo que fizemos quando eu achava que amava o filho da mãe.
Então, um dia, minha irmã aparece na minha casa de merda me implorando para voltar e realizar o último desejo da minha mãe em me ver pela última vez antes de morrer.
Decido ir com ela, e esse é o meu primeiro erro.
O cervo apareceu do nada. Não deu tempo nem para brecar.
Acordei horas depois do acidente, sangrando e do lado de um corpo sem vida.
Então, depois de entrar em pânico, uma ideia se forma… quando os policiais chegam para ajudar, olham para os documentos que estavam na bolsa no banco de trás e perguntam se eu sou minha irmã: respondo que sim.
Esse é o meu segundo erro.
Os policiais me levam para mansão nas colinas onde cresci. Lá, os maridos da minha irmã, um mais bonito que o outro, me recebem como se fosse ela; minha sobrinha me chama de “mamãe”; e minha mãe sorri e olha para mim como se eu fosse a filha perfeita, não a que ela rejeitou.
Simples assim, e eu roubei a vida que minha irmã tirou de mim. Assumi o papel de esposa troféu, e mãe e filha perfeita… esse foi o erro que nos matou.

Um pouco de contexto antes de iniciar a resenha para vocês, haha. Desde 2020, quando descobri o Reverse Harem/Harém Reverso (gênero why choose), simplesmente não parei de ler; e a Ruby Vincent se tornou uma das minhas autoras favoritas do gênero romance dark e mistério romântico (com diversos títulos já traduzidos, muitos deles disponíveis no KU/Kindle Unlimited, fica a dica para quem curte, haha). Então, acho que dá para imaginar como fiquei feliz em saber que fui selecionada para ler o ARC (Advanced Reader Copy) de Double Bluff, que sai (em inglês) no dia 5 de março (de 2026, se você estiver lendo do futuro, hehe).

Mas mais do que feliz em ler um livro que estava na minha lista antes do dia oficial do lançamento, é poder dizer que ele se tornou o meu favorito da autora Ruby Vincent. Sério, que montanha-russa foi essa leitura de mistério com romance, tiro, porrada e bomba!
Primeiramente, uma das coisas mais legais do livro foi o fato da família da Sarang/Sarah ser coreana e a maneira como a cultura coreana-estadunidense foi apresentada deu uma pegada diferente, além de se encaixar perfeitamente na história de suspense e assassinato. Funcionou muito bem para tudo o que aconteceu e como aconteceu (infelizmente não posso dar mais detalhes, pois spoilers).
A Sarah/Sarang é uma narradora fácil de gostar e se apegar. Ela é engraçada, gentil, mas também carrega muitos traumas, os quais são mostrados de diversas formas, algumas mais sutis, outras mais explícitas, algo muito comum em romances psicológicos. Por todas essas características, o leitor é levado ainda mais a fundo no desespero em querer decifrar todo o mistério, porque a Sarah merece ser feliz mais do que qualquer um ali, haha.
Sobre o romance, apesar de ser um livro reverse harem, os relacionamentos não são o grande foco dele. Na verdade, eles não podem ser, pois o mistério e os assassinatos são o centro de tudo, e a história é construída de uma maneira que passamos a duvidar de tudo e de todos ao redor da Sarah, inclusive dos personagens masculinos, o que acabou virando um grande diferencial dentro do gênero. Sim, tem romance (e hot), mas a maneira como tudo é construído é diferente, o que deu um toque especial para o livro de romance e suspense.
Por fim, preciso tirar um momento para falar sobre a gêmea malvada, Soo Min/Sue, que não perde para Paola Bracho e Raquel e Raquel, de Mulheres de Areia (isso entrega minha idade? Acho que sim, né?). Porque, sério… fazia tempo que eu não odiava tanto uma personagem feminina assim. E não vai pensar que ela é construída apenas para trazer competição feminina, não: a Sue é literalmente uma narcisista e as coisas que ela faz são pesadas. Do tipo que você fica feliz por ela estar morta logo no começo do livro, porque, conforme vamos descobrindo o quão má ela é em flashbacks, só odiamos mais e mais a personagem. Ou seja, é uma vilã muito bem construída, que mesmo fora das páginas ainda causa estragos — algo marcante em livros de mistério e thriller psicológico.


Double Bluff foi uma leitura que simplesmente devorei, que não queria parar para desvendar todos os mistérios, mas quando acabei, fiquei triste porque ainda não estava pronta para me despedir das personagens (sim, fiquei com uma leve ressaca literária logo depois da leitura).
A Ruby Vincent entrega um mistério envolvente, uma personagem cativante e aquela sensação constante de não saber em quem confiar, porque todo mundo ali está mentindo e todo mundo ali tem motivos (grandes) para ser o assassino. É uma montanha-russa não só de emoções, como também de revelações e plot twists. Daquele tipo de leitura que a gente precisa prestar atenção nos detalhes, porque, no futuro, eles vão ser importantes. Simplesmente viciante!

Se você gosta de mistério, romance e why choose (ou quer dar uma chance para o gênero reverse harem), total deveria ler Double Bluff! Ele sai no dia 5 de março, por enquanto apenas em inglês, mas caso já tenha um conhecimento da língua e goste de romances com suspense, ele é uma ótima pedida!
Onde encontrar o livro:
Amazon: clique aqui
Site da autora: clique aqui
