Hoje vim falar um pouquinho sobre escrita e processo de escrita, algo que costumava fazer muito por aqui, mas muito antes de deixar o blog de lado, já estava em uma crise feia em relação a criar minhas próprias histórias, o temido bloqueio criativo.
Como estou recomeçando com esse cantinho depois de tanto tempo parada, vou pedir licença para resumir minha relação com a escrita nos últimos anos: em 2016 comecei e terminei de escrever um livro, que na época chamei de Drapetomania. Nesse mesmo ano, assim que concluí a escrita, descobri uma pequena editora que estava recebendo manuscritos, e arrisquei fazer o envio do meu.
Resultado? Recebi um e-mail com os seguintes dizeres: “seu original foi lido e aceito para a publicação”.
A partir de então, comecei todo o processo de publicar um livro, mas a história não tem um final feliz, haha. Primeiro porque eu não estava preparada emocional e psicologicamente para colocar Draps (apelido pelo qual até hoje chamo o livro) no mundo; em segundo lugar, aconteceu comigo o que muitas autoras passam, os temidos problemas com editora: em resumo, tomei um calote. Os livros, pelo menos, ficaram prontos, existiram, eu mesma comprei diversos exemplares… mas os que a editora vendeu (se é que vendeu algum), nunca vi um centavo sequer.

Acho que dá para perceber que foi um evento traumático em tantas camadas que não caberia num post de blog, haha. O resultado disso foi o início de uma trava de escrita (que começou com a história de Draps em si, já que eu havia planejado uma trilogia de livros e só havia escrito o primeiro; depois essa trava seguiu para tudo e chegou em um ponto em que, desde mais ou menos 2021 ou 2022, havia parado de escrever.
Foram diversas tentativas para tentar voltar a escrever, inclusive concluir a história que iniciei em Draps. Entre essas tentativas, decidi unir o livro 1 e 2 (que já estava pronto, mas havia saído tão curtinho e eu simplesmente não conseguia aumentar, a história estava pronta dele) em um único volume; mudei o título do livro porque descobri a origem real da palavra Drapetomania e ela não está de acordo com o que acredito (como Draps foi inventada, mantive).

Hoje, o primeiro volume do meu romance de fantasia e aventura — que são os livros 1 e 2 unidos — tem o título Entre Dois Mundos: Missão Atlantis. Dá para saber mais dessa tour clicando aqui.
Mas, mesmo depois dessa decisão e de ter ficado satisfeita com ela, ainda não conseguia sair do lugar. Não seguia em frente com essa história ou nenhuma outra, e isso foi me frustrando muito com o passar do tempo.

Eu nem sei explicar, mas escrever faz parte de mim. Crio histórias desde pequena. Muitas foram para o papel (Draps não foi o primeiro livro real oficial que terminei), outras ficaram apenas na minha mente; e tantas são só ideias para livros.
Parecia que tinha algo faltando, e o fato de eu trabalhar com revisão de textos só me fazia sentir cada vez mais que, de certa forma, havia falhado, porque eu não sei quem sou sem minhas histórias — as criadas por mim e as dos livros que leio. Mas, apesar de ter tentado voltar diversas vezes, acabava tendo ataques de ansiedade e parava de novo.
Ano passado criei uma meta de ano novo (coisa que nunca fazia): voltar a escrever.

Demorei quase o 2025 todo para concluir — inclusive, foram muitas sessões de terapia focando no assunto, hahaha — até que, lá por outubro ou novembro, aos pouquinhos, consegui dar meus passinhos. Primeiro, abri o arquivo de Draps com o intuito de reler o que havia escrito para poder continuar a história, mas aí lembrei como odiei a revisão feita pela editora, que deixou passar erros absurdos, e decidi que enquanto relembrava os detalhes da história para não criar furo de enredo, também iria revisar o livro.
Doce ilusão, né?
Óbvio que, apesar de corrigir os erros que encontrava pelo caminho, acabei entrando de cabeça em um processo de edição que me permitiu voltar a me apaixonar, não só por criar um universo meu, como também pelas personagens e pela história de Draps. Foi uma viagem bem louca, estar nesse lugar de leitora e escritora: chorei, ri, fiquei com raiva de mim mesma em alguns momentos… e, o mais importante, recuperei o pedaço de mim que faltava.

Comecei a revisão/edição com uma história de 121.728 palavras e, segunda-feira, concluí essa etapa com um total de 159.913 palavras.
Este ano vou republicar Draps, dessa vez como Entre Dois Mundos: Missão Atlantis. Mas agora, como publicação independente e apenas com livro digital primeiro. Ainda tenho um caminho pela frente, mas me sinto forte o suficiente para seguir por ele. O que importa é que voltei a escrever e, acima de tudo, me apaixonei novamente pela minha história e personagens, reencontrando esse pedacinho tão importante de mim.
Pretendo dividir todo o processo por aqui. Então, sejam bem-vindos ao primeiro post de Diário de Escrita de 2026. Espero que gostem e acompanhem essa tour! ❤

