Diário de Escrita 2026: o caminho de volta

Hoje vim falar um pouquinho sobre escrita e processo de escrita, algo que costumava fazer muito por aqui, mas muito antes de deixar o blog de lado, já estava em uma crise feia em relação a criar minhas próprias histórias, o temido bloqueio criativo.

Como estou recomeçando com esse cantinho depois de tanto tempo parada, vou pedir licença para resumir minha relação com a escrita nos últimos anos: em 2016 comecei e terminei de escrever um livro, que na época chamei de Drapetomania. Nesse mesmo ano, assim que concluí a escrita, descobri uma pequena editora que estava recebendo manuscritos, e arrisquei fazer o envio do meu.

Resultado? Recebi um e-mail com os seguintes dizeres: “seu original foi lido e aceito para a publicação”.

A partir de então, comecei todo o processo de publicar um livro, mas a história não tem um final feliz, haha. Primeiro porque eu não estava preparada emocional e psicologicamente para colocar Draps (apelido pelo qual até hoje chamo o livro) no mundo; em segundo lugar, aconteceu comigo o que muitas autoras passam, os temidos problemas com editora: em resumo, tomei um calote. Os livros, pelo menos, ficaram prontos, existiram, eu mesma comprei diversos exemplares… mas os que a editora vendeu (se é que vendeu algum), nunca vi um centavo sequer.

Uma das poucas fotos que tenho do dia do lançamento do livro (péssima qualidade, inclusive)

Acho que dá para perceber que foi um evento traumático em tantas camadas que não caberia num post de blog, haha. O resultado disso foi o início de uma trava de escrita (que começou com a história de Draps em si, já que eu havia planejado uma trilogia de livros e só havia escrito o primeiro; depois essa trava seguiu para tudo e chegou em um ponto em que, desde mais ou menos 2021 ou 2022, havia parado de escrever.

Foram diversas tentativas para tentar voltar a escrever, inclusive concluir a história que iniciei em Draps. Entre essas tentativas, decidi unir o livro 1 e 2 (que já estava pronto, mas havia saído tão curtinho e eu simplesmente não conseguia aumentar, a história estava pronta dele) em um único volume; mudei o título do livro porque descobri a origem real da palavra Drapetomania e ela não está de acordo com o que acredito (como Draps foi inventada, mantive). 

Uma das minhas cópias de de Draps

Hoje, o primeiro volume do meu romance de fantasia e aventura — que são os livros 1 e 2 unidos — tem o título Entre Dois Mundos: Missão Atlantis. Dá para saber mais dessa tour clicando aqui.

Mas, mesmo depois dessa decisão e de ter ficado satisfeita com ela, ainda não conseguia sair do lugar. Não seguia em frente com essa história ou nenhuma outra, e isso foi me frustrando muito com o passar do tempo.

Eu nem sei explicar, mas escrever faz parte de mim. Crio histórias desde pequena. Muitas foram para o papel (Draps não foi o primeiro livro real oficial que terminei), outras ficaram apenas na minha mente; e tantas são só ideias para livros.

Parecia que tinha algo faltando, e o fato de eu trabalhar com revisão de textos só me fazia sentir cada vez mais que, de certa forma, havia falhado, porque eu não sei quem sou sem minhas histórias — as criadas por mim e as dos livros que leio. Mas, apesar de ter tentado voltar diversas vezes, acabava tendo ataques de ansiedade e parava de novo.

Ano passado criei uma meta de ano novo (coisa que nunca fazia): voltar a escrever. 

Demorei quase o 2025 todo para concluir — inclusive, foram muitas sessões de terapia focando no assunto, hahaha — até que, lá por outubro ou novembro, aos pouquinhos, consegui dar meus passinhos. Primeiro, abri o arquivo de Draps com o intuito de reler o que havia escrito para poder continuar a história, mas aí lembrei como odiei a revisão feita pela editora, que deixou passar erros absurdos, e decidi que enquanto relembrava os detalhes da história para não criar furo de enredo, também iria revisar o livro.

Doce ilusão, né?

Óbvio que, apesar de corrigir os erros que encontrava pelo caminho, acabei entrando de cabeça em um processo de edição que me permitiu voltar a me apaixonar, não só por criar um universo meu, como também pelas personagens e pela história de Draps. Foi uma viagem bem louca, estar nesse lugar de leitora e escritora: chorei, ri, fiquei com raiva de mim mesma em alguns momentos… e, o mais importante, recuperei o pedaço de mim que faltava.

Comecei a revisão/edição com uma história de 121.728 palavras e, segunda-feira, concluí essa etapa com um total de 159.913 palavras.

Este ano vou republicar Draps, dessa vez como Entre Dois Mundos: Missão Atlantis. Mas agora, como publicação independente e apenas com livro digital primeiro. Ainda tenho um caminho pela frente, mas me sinto forte o suficiente para seguir por ele. O que importa é que voltei a escrever e, acima de tudo, me apaixonei novamente pela minha história e personagens, reencontrando esse pedacinho tão importante de mim.

Pretendo dividir todo o processo por aqui. Então, sejam bem-vindos ao primeiro post de Diário de Escrita de 2026. Espero que gostem e acompanhem essa tour! ❤

Deixe um comentário