Resenha: Midnight Haze, Tate West

Resenha de ARC recebido via NetGalley

Ela é uma estrela pop, filha de um rockstar recém-falecido e uma starchild. Ele, um jogador de futebol americano de sucesso. Juntos, os dois levam a imprensa à loucura.

Quando Sienna é flagrada saindo da própria festa de comemoração de fim de turnê aos beijos com August, uma estrela do futebol americano, ela jamais poderia imaginar a resposta que as pessoas teriam, porque imediatamente a hashtag #Saugust viraliza e destrói uma noite que prometia tudo — ainda mais depois que a ideia de um romance midiático surge.

Tanto Sienna quanto August têm muito a ganhar com o acordo e os dois concordam em fingir um namoro por um mês, o que é muito fácil porque ambos reconhecem a atração; então fingir não é difícil. O difícil é quando a mentira se torna boa demais. E tudo vai bem (tirando os momentos em que ambos lembram da química que aparece inconvenientemente), até o momento de um escândalo envolvendo a morte do pai de Sienna, o que a leva a fugir para Lavender Creek, a pequena cidade canadense que ela ama e onde se sente segura.

O que surpreende é a escolha de August em acompanhá-la; afinal, o contrato de namoro está quase no fim e eles não precisam mais fingir o relacionamento, apesar da amizade que parece ter nascido ali (amizade e muita tensão sexual).

Sienna espera August ir embora a qualquer momento, especialmente quando ele perceber que acabou indo parar em um rancho no meio do nada e também porque, para Sienna, todo mundo a deixa uma hora ou outra — o que a faz perceber que precisa proteger o coração ainda mais. Ela não só se dá conta de que não quer voltar para a cidade e para a vida que vivia, como também quer que August fique. Para sempre.

Com muitas inseguranças, uma diferença grande de idade e a fama, será que Sienna e August vão finalmente assumir que o que sentem vai além de uma atração intensa e encontrar um caminho juntos?

Sabe aquele livro gostosinho de ler? Um romance fofo, leve (apesar de em alguns momentos tratar sobre traumas e inseguranças causadas por eles), envolvente, que leva para um lugar onde finais felizes são possíveis e que, ao terminar a leitura, a gente se sente até mais leve? Midnight Haze é exatamente esse tipo de livro!

A história é narrada em duplo ponto de vista e, logo nas primeiras páginas já me peguei completamente imersa na história, pois Tate West escreve de um jeito super envolvente e cativante. Fora que, não vou negar que a vibe do livro ser totalmente Taylor e Travis — e o fato de eu ser uma #swifite de carteirinha desde os 17 anos, haha — e fake dating também ajudou muito, afinal, sou muito cadelinha desse tipo de história, haha. E aqui, ela não decepciona, na verdade, pelo contrário, me surpreendeu por ir por um caminho diferente do que estava acostumada, algo extremamente positivo.

Ele é daquele livro que o casal principal tem química antes mesmo do relacionamento falso começar. Na verdade, a ideia desse relacionamento acontece justamente porque eles são flagrados juntos depois de se conhecerem, terem químicas e irem juntos para o apartamento da Sienna. A partir de então, não temos tantos contato com o relacionamento fake deles, apenas com os encontros forjados, em que eles descobrem que não só havia uma química física ali, mas também emocional. E a verdade é que nós leitores vemos a Sienna e o August se apaixonando rapidamente, mas com zero vontade (e coragem) de assumir isso para si mesmos, o que faz rolar aquela tensão maravilhosa para quem curte o subgênero.

Então, é aí que a história chega no segundo ato e tudo muda, a ponto de parecer que são dois livros diferentes, mas não de um jeito ruim, apesar que essa transição é feita de uma maneira um pouquinho abrupta que pode pegar o leitor que não esteja tão envolvido na história como eu estava um pouco desprevinido e passar aquela sensação de corte. Mas, como disse, eu estava tão envolvida na história que não senti imediatamente quando isso aconteceu.

Essa mudança ocorre quando algo relacionado ao pai da Sienna, um rockstar que morreu há cerca de um ano quando a história começa, é exposto, pegando não só o público de surpresa, como a própria Sienna. Nesse momento, ela decide fugir de Nova York e ir para uma cidadezinha no interior do Canadá, onde ela tem um rancho e é o refúgio secreto dela — tão secreto que nós, leitores, descobrimos junto do August esse lugar. A partir de então, o fake dating deixa de ser o foco (apesar de que, por algum motivo, os dois ainda estão fingindo estar em um relacionamento por algum tempinho) e passa a ser eles descobrindo como seria viverem juntos, bem como mostrando a família que a Sienna descobriu no rancho. Tudo muito fofo!

Realmente gostei bastante de como a história foi desenvolvida a partir da mudança de cenário. Para mim, deu a sensação de que a Sienna e o August deixaram de ser uma popstar e um jogador de futebol americano famoso para se tornarem apenas duas pessoas que se apaixonaram e, além de estarem em negação, também precisam lidar com as próprias questões individuais que os impede de sentar para conversar e colocar o relacionamento em foco.

Por um lado, temos a Sienna que tem diversas questões por conta do jeito que cresceu: ela foi abandonada pela mãe sem nunca nem conhece-la e e criada por um pai rockstar que, além de ser extremamente egocêntrico, não tinha a menor capacidade de criar uma criança ou sabia lidar com a filha. Tate West narra essa fragilidade e insegurança da personagem de forma muito tocante e, acima de tudo, a maneira como foi construída não faz a gente cansar do fato de que a Sienna foge de conversar ou enfrentar diretamente o que sente pelo August.

Já a questão dele para mim foi um pouco mais problemático e, por pouco a autora não errou o ponto. Na verdade, acho que ele não passou a ser um personagem que poderia dar errado porque ela acabou mostrando em vários momentos que ele é um cara legal de verdade, família e que busca o melhor para quem ama sempre, fora que, o momento mais galinha dele também não é mostrado no livro, apenas citado. Para mim, se a Tate West não construído essas coisas como construiu, mais para frente, quando vemos o diálogo interno dele sobre por que não assumir logo que está apaixonado, ou investir no relacionamento, não fica tão ruim assim.

O motivo disso? Eu não consegui sentir que as justificativas do August eram fortes o suficiente. Ele se incomoda pelo fato de ter uma diferença de idade entre os dois de sete anos, mas a partir do momento que as personagens têm 28 e 35, parece que não faz muito sentido, sabe? Fora que, no começo, ele dá muito a entender que não gostaria de um relaciomamento com a Sienna por conta de quem ela é, por ser uma pop star e basicamente não ser o que ele está procurando no momento, pois o August está pronto para se aquietar, encontrar uma mulher para casar.

É quase como se ele estivesse procurando uma trad wife, por isso acha que a Sienna não é a pessoa certa e, se a autora tivesse pesado um pouquinho a mão, o August poderia ser insuportável, mas ainda bem, isso não acontece, ele rapidamente se vê apaixonado pela pessoa da Sienna sem se importar com quem ela é, e a idade vira o maior problema. Foi bem por pouco!

Mas garanto, apesar dessa quase errada de mão da autora, eu gostei muito do livro! Li praticamente em uma sentada e terminei me sentindo abraçada por uma história tão gostosa de acompanhar.

Falando em acompanhar, preciso falar sobre as personagens secundárias! Enquanto lia, fiquei complementamente apegada a elas e querendo saber mais sobre elas. Não que em algum momento elas roubem a cena, pois a Tate West constrói o tipo de personagem secundária completamente interessante, mas na medida certa: você quer um livro delas, mas não que elas substituam o casal principal, porque ficamos investidos na história deles. Dito isso, mal posso esperar pelo livro da Louise e do River!

Midnight Haze é perfeito para quem gosta daquela leitura gostosa, um romance para deixar o coração mais leve e sem dramas complexos ou chatos, afinal, o livro não tem término no final, não tem drama de traição, nada além da Sienna e do August apaixonados, mas precisando lidar com as próprias inseguranças. E, com a escrita leve e envolvente da Tate West, acabamos devorando a história e, por algum tempo, saindo completamente da realidade.

Se você quer começar a ler em inglês, Midnight Haze é um dos livros perfeitos para dar os primeiros passos na língua. A escrita é leve, a linguagem usada também não é rebuscada e ainda é uma história super fofa e gostosa! O livro saí dia 24 de abril (de 2026, caso esteja lendo este post do futuro, hehe) e estará disponível no KU.

Deixe um comentário