Resenha de cópia ARC cedida pela autora


Antiga Mesopotâmia aproximadamente 2300 a.C. Em um mundo onde sangue e linhagem dita a vida das pessoas, como uma criança orfã, sem um nome se torna rei de um império?
Ahbut é copeiro do rei de Kish e seu lugar na sociedade é o melhor possível, assim como também é o máximo onde alguém como ele pode alcançar. Ele não poderia estar mais feliz: tem amigos, um rei que o chama de “irmão” e não precisa se preocupar se vai conseguir comer ou não. É uma vida perfeita… até a peregrinação à Uruk, cidade antiga e poderosa, onde ele fica cara a cara com a mulher que tem o poder de mudar o destino dele; e com um rei que pode destruir tudo que Ahbut ama.
Enquanto isso, em Uruk, Tashlultum é a personficação do privilégio, pelo menos quando visto de fora: é uma renomada vidente e a próxima na linha de sucessão para ser sarcedotisa da deusa Inanna. No entanto, há anos mantém segredos que a deixam extremamente infeliz e ela mesma sente que não quer seguir esse caminho, mas não tem escolha, pois se seu passado for descoberto, pode destruí-la.
Quando os caminhos de Tash e Ahbut se cruzam, uma profecia acaba revelando o verdadeiro preço de ser a escolhida pela deusa do amor e da guerra.

Sou super fã da Elisha Kemp desde que li a série Dying Gods e, desde então, todos os livros que li que foram escritos por ela estão na minha lista de favoritos, mas confesso que as fantasias históricas são as minhas favoritas; e como uma pessoa que ama civilizações antigas, encontrar livros de fantasia e romance que falam sobre o assunto sempre me deixa muito feliz! Inclusive, estou pensando em fazer um post sobre a autora em breve, porque ela rapidamente se tornou uma das minhas autoras favoritas recentes.
Um dos principais motivos é que a pesquisa que Kemp fez em cada um dos livros com base em civilizações antigas foi simplesmente incrível, tão boa que cria uma experiência totalmente emersiva, do mesmo jeito que alguns documentários fazem, sabe? Durante a leitura, eu conseguia visualizar todos os locais e também quase conseguia sentir os cheiros descritos, de tão imersiva que foi a leitura.
Além da atmosfera envolvente e interessante, as personagens de Kingmaker também foram construídas muito bem, de uma maneira que você também sente que acompanha pessoas que viveram em outra época, não apenas uma versão moderna com uma roupagem antiga, se é que isso faz sentido, mas é mais um ponto que mostra como a pequisa foi extremamente bem-feita e, claro que ela conseguiu traduzir isso para sua própria história.

Sobre as personagens principais, no caso, o casal que intercala a narrativa do livro: o Ahbut tem uma certa inocência nele que simplesmente me conquistou, ele começa extremamente “humilde”, quase com um complexo de inferioridade, resultado da sociedade em que vive, afinal ele é um órfão que foi criado apenas para servir. No entanto, conforme a história avança e temos contato com a profecia que diz que ele será um grande rei, ele começa a crescer de uma maneira que fica fácil de entender por que, especialmente depois que ele aceita seu destino — e o fato dele fazer isso por amor, deixa tudo ainda melhor. Mal posso esperar para ver o que o aguarda no próximo livro!
A Tashlutum/Tash, por sua vez, é uma das personagens femininas mais intensas que já li. Simplesmente amei a construção dela e, assim como o Ahbut, até o fim deste primeiro livro é possível ver o quanto ela evoluiu, em todos os sentidos. Até porque ela é uma personagem super complexa, já que a sociedade mesopotânica dava poder a mulher, mas ainda era patriacal, de maneira que estar envolvida com a religião e em templos era a maneira mais comum de uma mulher ter voz. Então, o fato da Tash ser uma grande profetiza, com contato direto com a deusa Inanna, faz dela uma figura extremamente poderosa na sociedade, mas ainda assim, não o suficiente para permitir que ela tenha controle do seu destino, que possa revelar sobre seu passado, ou ainda que possa mudar alguma coisa sociedade, o poder ali nesse sentido ainda é do rei, Lugalzagesi (que mal conheci, já odiei pacas e sigo odiando).

Kingmaker é um livro que nos leva para uma versão quase mágica da Mesopotânia, em que os deuses estão extremamente presentes e agindo diretamente na vida dos humanos — e não há nenhuma dúvida disso, há diversos momentos que vemos isso acontecendo de maneira explícita, especialmente em relação à Tash e suas profecias, pois a deusa Inana literalmente fala por ela (de um jeito muito interessante, mas que vou deixar para quem quiser ler descobrir como, hehe)… e isso me leva outro aspecto favorito deste livro: a profecia e como a história se desenrola a partir dela.
Basta conhecer qualquer mito com essa temática para saber que, a partir do momento que alguém tenta impedir uma profecia de ser concretizada,, todas as atitudes levam justamente para o caminho oposto — e o jeito que a Elisha Kemp constrói isso é maravilhoso, pois, como leitores, conseguimos ver perfeitamente todo o efeito dominó causado pela profecia. E o mais interessante é que, o leitor consegue ver, mas as personagens que estão vivenciando a história não.

Kingmaker foi uma das minhas leituras favoritas de 2026 e eu mal posso esperar pelo próximo volume, e também, pelo lançamento dele, porque mesmo recebendo o ARC da autora, quero a cópia física na minha estante para colocar junto da série Dying Gods ❤
Se você está lendo esta resenha em setembro de 2026, Kingmaker será lançado no dia 27 (e estará disponível para leitura no Kindle Unlimited).
Sobre o nível de inglês, acredito que não seja ideal para quem está começando a leitura, mas se você estiver preparando para novos desafios, o vocabulário não é tão difícil (apesar dos termos e nomes da época, mas tem um glossário no começo do livro para ajudar, haha), então considero um básico/intermediário, mas mais para o intermediário! 😉
Se você ler ou leu Kingmaker (ou qualquer livro da Elisha Kemp), vem conversar comigo porque vou adorar fofocar como amo os livros del, hehe.

