Resenha: The Devil of Arden (The Arden Duology #1), R.H. Linehan

Resenha de cópia ARC cedida pela autora

Uma romantasia que mistura a lenda de Robin Wood com Sonhos de Uma Noite de Verão, de Shakespeare e o resultado é um universo exuberante repleto de perigos, romance, encantos e magyk.

Era uma vez, uma menininha que fez uma barganha com um monstro…

Criada na idílica Abadia Locksley, o que Marina deseja são apenas alguns momentos roubados com seu namoradinho de infância e um jardim exuberante… onde ela possa enterrar um segredo terrível: desesperada para salvar sua figura materna de uma doença, quando era criança fez uma barganha com o féerico mais trapaceiro e manipulador da Floresta de Arden. Durante dez anos, ela não só precisou esconder a magia que recebeu com o pacto, como também temeu pelo dia que precisaria pagar a dívida e também. 

Quando a inesperada atenção do Xerife de Nottingham, um homem cruel e fanático, deixa Marina com o coração partido e pior, coloca a amada Abadia em perigo, ela precisa partir com o Diabo em pessoa, o féerico com quem fez o pacto há tantos anos. 

Presa com o povo féerico que parece ter recém saído dos livros de fantasia em um local que parece mundo dos sonhos, Marina rapidamente aprende que nada na Floresta de Arden é o que parece, incluindo ela mesma. Embora inicialmente as crenças da vida anterior a fazem ficar presa entre dois mundos, o chamado da corte de Arde rapidamente se torna impossível de resistir, assim como o Diabo determinado a mantê-la lá.

A verdade é que Marina pode ser a única pessoa capaz de defender seus dois lares — deles mesmos e de perigos internos. Mas, se ela espera conter o mal que parece cada vez mais forte e próximo, primeiro precisa curar feridas causada não pela magyk ou pelo aço que machuca as criaturas féericas, mas sim por amor infinito e um luto imensurável.

Até o momento, eu tive muita sorte para os ARCs que fui selecionada para ler, porque não teve um que não gostei e ainda tem o The Devil of Arden, que entrou para minha lista de favoritos este ano. Amei tanto que, além de estar desesperada pela continuação da duologia, pretendo comprar o livro em cópia física quando (e se) ficar disponível. Nesse nível!

O livro é basicamente “retelling” dois em um: de Sonhos de Uma Noite de Verão e Robin Hood e não é que essa misturinha deu muito certo? O mundo criado pela autora é super interessante e ela escreve de um jeito que transporta o leitor para o universo de um jeito que poucas conseguem. A parte humana da história é a centrada em Robin Hood, ou seja a história se passa em uma Nottinghan, que vive problemas causados pelo xerife e pelo príncipe governante, ambos cegos pelo fanatismo e preconceito com tudo que envolva magia e, obviamente, os fae. Por outro lado, o mundo da Floresta de Arden é onde temos contato com personagens, aspectos de Sonhos de Uma Noite de Verão e toda a atmosfera mística e claro, mágica, desse universo.

A Marina (May), narradora da história, é uma personagem incrível! Ela foi encontrada abandonada quando recém-nascida e criada na Abadia Locksley, mas, apesar de amar o lugar e as irmãs que vivem ali, nunca sentiu que pertencese realmente a algum lugar, talvez por isso nunca tenha conseguido prestar serviço ao local como uma irmã, pelo contrário, vive ali em uma espécie de limbo até que é forçada a encarar a barganha de fez quando criança e é levada para a Floresta de Arden quando, finalmente, a criatura fae vem buscar o preço pedido.

A jornada da May entre aceitar quem realmente é no lugar de se prender em quem ela acha que deveria ser é incrível. Primeiro, ela vive um local cercado por religião e, acima de tudo preconceito com magia, que quem é detentor de algum tipo de poder (ou algo que possa ser considerado “fora dos padrões normais” de uma sociedade medieval extremamente religiosa) é castigado sem nem pensar duas vezes. Segundo, ao ser transportada para a Floresta, passa a conhecer um novo tipo de sociedade, totalmente diferente do que cresceu acostumada. A única coisa em comum por ambos os lugares é aquela sensação de que algo vai explodir a qualquer momento…

Então, ver a evolução da Marina é algo muito bom de acompanhar, especialmente porque foi extremamente bem escrito. Adorei acompanhar quem ela se tornou no fim do livro, mesmo depois de tantas descobertas e decepções. No fim, a humanidade dela é o que acaba por ser seu traço mais valioso, especialmente para os acontecimentos do livro.

Por outro lado, temos nosso personagen principal masculino (MMC), o Robin Hood, também conhecido como Puck, ou o Diabo de Arden, que é simplesmente um dos personagens mais interessantes que li em muito tempo. Sério, adoraria ter o ponto de vista dele em algum momento, pois a maneira como ele é criado, como ele é desenvolvido e seus sentimentos… não quero entrar em muitos detalhes porque não quero dar spoilers nesta resenha, mas posso resumir em: mal espero como a história dele e ele mesmo vai seguir no segundo livro da duologia. O Diabo é um personagem extremamente misterioso, ninguém sabe muito sobre ele e, o leitor só vai começar a entender conforme a história evoluiu, por isso, não vou entrar em tantos detalhes, mas garanto que ele é maravilho, bem escrito e daquele tipo que quem curte MMC completamente devoto pela FMC vai amar.

Ainda na temática personagens: preciso dizer que as secundárias são incríveis! Não a ponto de roubarem a história para elas, mas a ponto de fazer a gente se envolver e torcer cada segundo para que tudo fique bem com elas, queira saber mais sobre elas. Eu realmente espero que fiquem todos bem no segundo livro, apesar de ter aquela sensação que algumas mortes serão inevitáveis, especialmente por conta dos rumos que a história tomou…

Quanto aos vilões da história: se você conhece a lenda de Robin Hood, está familiarizardo com eles e que toda a vilania é centrada na corrupção do poder, ganância insaciável e opressão do povo. Mas, muito além disso também existe o preconceito com a magyk, com o povo fae e com o fanatismo. Unindo os elementos, temos em mãos personagens que detêm o poder do lado dos humanos e que realmente têm capacidade de fazer estragos. Mais uma vez, não vou entrar em tantos detalhes por conta de spoilers, mas acredito que a ameaça deles vai ser ainda maior (em todos os sentidos) no livro dois. E de novo, mal posso esperar para ver como tudo vai evoluir.

The Devil of Arden é muito mais que uma romantasia (e o aspecto do romance é simplesmente maravilhoso para quem curte o gênero), mas traz discussões importantes sobre fanatismo, preconceito, corrupção do poder, pertencimento e luto. Além disso, é escrito de uma maneira envolvente, detalhista e com um universo que realmente acaba trazendo diversos aspectos da atmosfera criada por Shakespeare em Sonhos de Uma Noite de Verão. É aquele tipo de livro que a gente lê e pensa imediatamente que poderia facilmente entrar em lista de best-sellers se se tornar popular o suficente!

Quanto ao nível de inglês, considero a leitura de nível intermediário um pouco mais avançado. Ele lida muito com poemas, é um pouco mais robosto para quem não tem uma boa base na língua. Se você já leu livros em inglês e está em busca de novos desafios, com certeza é uma pedida excelente!

The Devil of Arden sai dia primeiro de maio (de 2026) em e-book e, para você que assina, estará disponível no KU. Juro, se eu pudesse, traria o livro para o Brasil para que quem não lê em inglês também possa apreciar esse livro, que é tão bom! Simplesmente apaixonada e sofrendo na espera pelo segundo livro ❤

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