Diário de bordo Escócia e Inglaterra (parte 2): Edimburgo

Edimburgo é um local que quem ama história (como eu) fica completamente apaixonado — quem não ama também acaba se encantando também, especialmente porque em diversas regiões da cidade parecem transportar para um outro tempo e, se não fossem os carros e as pessoas ao redor, seria fácil de imaginar que acabou indo parar em outra época.

Como a cidade é um museu a céu aberto, para este post vim contar os locais que mais amei conhecer!

O Castelo de Edimburgo é uma parada obrigatória para quem visita a cidade, especialmente porque o nome engana fazendo a gente esperar “apenas” um castelo, quando na realidade o local é um forte de mais de 900 anos de idade. Ele fica localizado no topo de um vulcão extinto e é o monumento mais famoso da cidade, assim como um dos mais famosos do país. Atualmente, além de um ponto turístico com diversos museus, o Castelo ainda é uma base militar ativa, então existem locais que não podemos visitar por conta disso.

Para conhecer o local, é preciso comprar ingresso em eu super indico fazer uma visita guiada, afinal, são mais de 900 de história e lá dentro existem diversos museus para visitar (não é preciso pagar mais de uma vez, o valor da entrada já permite entrar em todos os prédios que não fazem parte da ala militar restrita, haha). Entre eles estão:

  • As jóias da Coroa (Honours of Scotland): as joias reais mais antigas do Reino Unido;
  • Capela de Santa Margarida: é o edifício mais antigo de Edimburgo, o único que sobreviveu às inúmeras invasões do castelo até os dias de hoje. Ela foi construída em torno de 1130 pelo Rei David I;
  • Palácio Real: aposentos histórios onde viveram monarcas escoceces, como a Mary Stuart (conhecida como Mary of Scotts, que tem uma das histórias mais interessantes. Já assistiu a série Reign? Então, é aquela Mary);
  • Prisões: você pode visitar reconstituições que mostram como eram as prisões dos séculos XVIII e XIX;
  • One O’Clock Gun: todos os dias (com exceção da Sexta-Feira Santa e do Natal), às 13h, um dos canhões do castelo é disparado. Essa tradição começou em 1862 para que os navios do porto de Leith ajustassem os relógios de navegação;
  • Scottish National War Memorial: um santuário para homenagear os soldados escocess (e aqueles que serviram nos regimentos escoceces) que morreram durante a Primeira e Segunda Guerra Mundial. Ele foi inaugurado em 1927 e precisou ser expandido para incluir as vítimas da Segunda Guerra e de conflitos posteriores.

Uma dica para quem vai para Edimburgo e está decidindo sobre que época ir: durante o mês de agosto, na esplanada em frente à entrada do castelo acontece o Royal Edimburgh Military Tattoo, o maior festival de música e bandas marciais do mundo. Em junho inicia a montagem da arquibancada, o que acaba impedindo a visão do Castelo e até mesmo não permite que a gente veja a vista da cidade.

Na esplanada do Castelo, do lado direito, bem escondido (ele fica nateral da loja Tartan Weaving Mill), fica o Witche’s Well, um discreto memorial dedicado às mais de 300 pessoas (a maioria mulheres) que foram acusadas de bruxaria enforcadas e queimadas vivas. A Escócia foi responsável por uma das perseguições às bruxas mais violentas da Europa, pois o Rei Jaime VI era obcecado pelo tema.

O Witche’s Well

Descendo pela Royal Mile (onde fica localizado o Castelo), existem diversos locais para conhecer, entre eles, os chamados “Closes”, becos que levavam a propriedades privadas. Eu quis explorar todos eles, porque sempre acabava encontrando um local para tirar foto, ou um pátio. Que saudade de explocar Edimburgo!

Mercat Cross, um dos monumentos mais famosos da cidade

Uma das coisas que mais adoro na Escócia que é o animal nacional oficinal do país é o unicórnio. Sério, como não amar um local que considera o unicórnio seu animal oficial? De acordo com os guias, o motivo não é apenas porque na mitologia, o animal representa pureza, inocência e poder incomável, mas sim porque o animal da Inglaterra é o leão e as lendas locais diziam que apenas um unicórnio poderia vencer o leão… particularmente, prefiro pensar que o unicórnio é o animal oficial do país porque a Escócia é mágica, haha.

Catedral de St Giles, outro marco turístico da Royal Mile
Heart of Midlothian, fofo mais aqui marcava onde aconteciam execuções

Mas nem só de locais bonitos Edimburgo é feita. Também conheci um dos lugares mais pesados que já fui e, confesso que até passei um pouco mal lá dentro — para quem acredita em energia, pensa em um lugar pesado: os vaults, ou as câmaras subterrâneas. Um pouco de contexto: em 1700, Edimburgo precisou expandir a área comercial e, para isso, o governo construiu pontes de pedra com dezenas de arcos arrojados nelas. Os espaços vazios desses arcos foram fechados e isso criou salas subterrâneas que inicialmente serviram como um local para guardar mantimentos dos comércios que ficavam na rua de cima.

No entanto, as coisas deram bem errado: as pontes não foram impermeabilizadas e as umidade da chuva, falta de ventilação e escuridão fez com que produtos fossem estragados e os comerciantes abandonaram o local. Esse espaço foi invadido pela parcela mais sofrida da população da cidade e logo as câmaras deram local a cortiços, prostíbulos, destilarias ilegais de whisky… Hoje em dia é possível fazer tours por alguns desses locais e foi bem intenso, mas interessante.

Juro, a escuridão lá é total e o ar é pesado

Descendo a Royal Mile, é possível chegar na Victoria Street, um dos pontos turísticos mais famosos da cidade. A rua é curva e repleta de lojas com as fachadas coloridas. Ela ficava no caminho do meu hotel caso eu estivesse na Royal Mile, então acabei passando várias vezes por lá, juro que todas elas eu ficava encantada.

Vou confessar que um dos locais que eu estava mais ansiosa para conhecer era o cemitério de Greyfriars, que foi fundado em torno de 1562 nas terras de um antigo mosteiro de frades franciscano (Grey Friars), por isso o nome. Mas o motivo para estar tão ansiosa para conhecer o cemitério era um: o Bobby, um cachorro da raça skye terrier que era o companheiro de John Gray, que alguns dizem ser vigia do cemiério. De todo modo, quando Gray faleceu em 1858, Bobby sentava todos os dias no tumulo do dono durante 14 anos até morrer.

Os moradores de Edimburgo se apaixonaram pelo cãozinho e ele foi enterrado logo na entrada do cemitério, onde as pessoas (inclusive eu) deixam gravetos, brinquedos e comida de cachorro para ele. Além disso, do lado de fora, na frente do cemitério também existe uma estátua em homenagem ao Bobby e um pub — porque obviamente que não podia faltar um pub, haha).

Do outro lado da cidade, no lado oposto do Castelo de Edimburgo fica o Palácio de Holyroodhouse, que é a residência oficial da família real britânica. Mas o motivo de eu realmente querer conhecer o Palácio é por conta da Mary, Queen of Scotts, que citei ali em cima. Não vou entrar em muitos detalhes, mas ela tem uma história tão interessante, que eu fiquei louca para encontrar um livro sobre ela, haha.

De todo modo, a Mary viveu no Palácio e lá foi palco de um dos acontecimentos mais loucos da vida dela: um de seus maridos (ela também foi brevemente casada com Francis II, rei da França — de novo, aqui foi o foco da série Reign, levemente baseada na história da Mary, haha), Lord Darnley liderou um grupo que assassinou o secretário e amigo de Mary, David Rizzio com 42 facadas. Todo o esquema aconteceu na frente da rainha, que estava grávida, e dentro dos aposentos particulares dela. Dizem que a mancha de sangue segue no chão até hoje (realmente tem uma mancha no chão, mas se é de sangue aí já não sei, haha).

Infelizmente não era permitido tirar fotos do interior do castelo, mas do lado de fora era permitdo e o local é lindíssimo!

Exterior do Palácio
Vista do Arthur’s Seat, outro local famoso da cidade

Agora, de longe, meu lugar favorito foi a Dean Village. É uma área residencial que parece saída de um conto de fadas, uma vila medieval. É a coisa mais linda!

Seguindo por ela, há uma trilha que, infelizmente seria fechada a partir de julho apenas para moradores, mas consegui conhecer e me apaixonei, pois além da natureza, ser ao lado do rio, ainda tinha alguns lugares mágicos que me questiono o significado.

Esses foram meus pontos favoritos de Edimburgo! Já estou morrendo de saudades e com vontade de voltar para explorar ainda mais essa cidade maravilhosa, mesmo passando vários dias, sinto que faltou conhecer muita coisa! ❤

Se chegou até aqui, espero que tenha gostado da minha visão da cidade!

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