Romantasia e fantasia com romance são a mesma coisa?

Este post nasceu de um Threads que fiz mais cedo porque havia visto um em uma pessoa chamava As Crônicas Vampirescas, da Anne Rice de romantasia por conta do relacionamento entre Louis e Lestat. Por conta disso, me peguei também pensando em como alguns livros que têm um teor fantástico que tenha romance sendo chamado de romantasia… e percebi que existe por aí uma confusão do que é fantasia com romance, romantasia, romance paranormal etc.

Pensando nisso, decidi fazer esse post explicando tudo com mais detalhes e, quem sabe, ajudar a tirar dúvidas assim ❤

Primeiramente, para um livro ser considerado do gênero romance, é preciso que o relacionamento amoroso seja o ponto central da história e, basicamente, sem ele, a história não faz nenhum sentido. Ou seja, o romance não pode ser apenas uma parte da história, toda a trama principal deve girar em torno do casal e dos obstáculos que eles precisam superar para ficar juntos, sejam eles internos ou externos.

Pegando o exemplo d’As Crônicas Vampirescas, apesar da série envolver paixão, drama e erotismo entre as personagens, o romance entre elas não é o ponto central da história, pelo contrário. Muito do foco da história são os questionamentos existenciais do Louis seguido pos outros aspectos, entre eles, o relacionamento com Lestat (que por sinal é bastante tóxico, vamos combinar, haha), mas de novo, esse não é o foco do livro, a história não gira em torno deles ficarem juntos — inclusive, o gênero da série sempre foi romance gótico de vampiro (romance no sentido de livro e não do gênero romance, haha).

Agora que dei uma pincelada no gênero romance, vamos falar sobre os subgêneros e o que exatamente é uma romantasia?

Romantasia é uma nomenclatura que surgiu bem recente, especialmente com o boom do Booktok, mas a verdade é que ela já existe há um bom tempo, oscilando entre os gêneros de fantasia urbana e fantasia épica. Mas, para explicar ainda melhor, é preciso também explicar rapidamente o gênero de fantasia e o paranormal, haha.

O gênero fantasia é aquele que contém elementos mágicos que não existem no mundo real. Entre os subgêneros estão os que vou focar aqui: alta fantasia/fantasía épica (high fantasy/epic fantasy), baixa fantasia (low fantasy) e o paranormal. Mas afinal, o que significa cada um deles? Porque o alto e baixo não é nada mais do que o lugar onde a história se passa, não tem nada muito a ver sobre o tipo de magia. Mas, deixa eu explicar:

  • Alta fantasia: acontece em um mundo 100% inventado, como em O Senhor dos Anéis, que é um dos maiores exemplos do subgênero. Ou seja, é um universo com geografia própria, criaturas inventadas, religiões e até línguas próprias, mas tudo faz sentido dentro daquele mundo porque é o nosso mundo não existe.
  • Baixa fantasia: já a baixa fantasia é quando o cenário mágico faz parte do mundo em que vivemos (ou pelo menos uma versão dele), como em Percy Jackson, por exemplo. Os humanos “normais” podem ou não ter consciência desses elementos mágicos, mas normalmente não têm.
  • Paranormal: é bem parecido com a baixa fantasia, com o detalhe que o paranormal é mais focado no sobrenatural e oculto, ou seja, não necessariamente envolve magia. Por exemplo, A Mediadora, que a personagem principal, Suze Simon é capaz de ver e interagir com fantasmas quando as pessoas ao redor dela, as “normais” não. É nesse subgênero que fazem parte criaturas como vampiros, lobisomens, demônios, ou até mesmo poderes mentais como telepatia — claro, tudo dentro do contexto da nossa realidade ou algo perto dela. Além disso, o cenário costuma ser sempre urbano e contemporâneo.

Com essa explicação, acho que já posso voltar a focar na romantasia e aqui já vai dá para saber como é simples, haha. A romantasia faz parte do gênero fantasia (seja épica ou baixa), mas tem o foco no romance. Já o romance paranormal é um gênero totalmente separado da romantasia e existia muito antes do termo ser cunhado, então são duas coisas diferentes, hehe.

Mas é aí que a coisa fica um pouco confusa: uma fantasia, seja ela baixa ou alta, que tenha romance não significa que ela seja uma romantasia.

Por que?

Porque para ser uma romantasia, o romance precisa ser o ponto central do livro. Basicamente, se você tirar o romance da história, ela não faz nenhum sentido, ela precisa dele para existir.

Vamos dar um exemplo prático de um dos primeiros livros a serem chamados de romantasia: a série Corte de Espinhos e Rosas, da Sarah J. Mass. Sem o romance, esa história simplesmente não existiria. Não teria uma razão pela qual a Feyre vai enfrentar a Amarantha no primeiro livro, por exemplo, senão salvar o Tamlin. E, a partir dos próximos livros, sem os relacionamentos amorosos da personagem, a história não iria para frente, apesar dela crescer, aprender sobre si mesma, fazer amigos extremamente essenciais…a história gira em torno do romance. Faz sentido? Haha.

Agora, um exemplo de fantasia com romance, que ele tem até uma certa importância para a história, mas que não é romantasia: a trilogia O Povo do Ar, da Holly Black. A Jude e o Cardan é um casal amado e o relacionamento deles têm importância para o desenvolver da história, mas ela vai muito além disso. A trama de O Povo do Ar é política, com o romance acontecendo paralelamente às batalhas da Jude para conseguir sobreviver e conquistar o poder em Elfhame. O romance é importante, ele cresce na história, mas não é o que a motiva. Ou seja, é uma fantasia com romance como um dos subplots centrais. Para ser uma romantasia, o relacionamento da Jude e do Cardan precisaria mover a história inteira.

Acho que é isso! Espero ter conseguido explicar a diferença e, ajudado a responder alguma dúvida sobre romantasia, fantasia e fantasia e romance! ❤

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